Dashboards Are Dead
Se o usuário passa a ser o agente, o produto precisa de uma interface feita para ele, e só expor um servidor MCP não resolve.
Em 3 frases
Sarah Simionescu, da Composio, conta que usou o Datadog por seis meses sem abrir o dashboard, porque o agente consulta os dados por ela.
Ela diz que o MCP sozinho falha por três motivos: o agente não aprende, ferramentas demais afogam o modelo e cada app vive isolado dos outros.
A solução da Composio é busca de ferramentas com plano de execução e resultados guardados fora do contexto, mostrada em duas demos e em um gráfico de resultados ainda não publicado.
Antes de ler
- MCP Model Context Protocol, protocolo aberto para ligar agentes a dados e serviços
- Contexto do agente janela de contexto, o texto que o modelo enxerga a cada passo
- Skill instruções reutilizáveis que ensinam o agente a fazer uma tarefa
- Tool calling chamada de ferramentas pelo modelo
- Progressive tool discovery descoberta gradual de ferramentas, buscando só as necessárias para a tarefa
- Execution plan plano de execução com a ordem de uso das ferramentas
Dashboards e linguagens de consulta eram tradutores
Em 2022, resolver um bug pedia cinco ferramentas, cinco interfaces e cinco linguagens de consulta, como a sintaxe do Datadog, o JQL do Jira e os filtros de busca do Slack. Para a palestrante, tudo isso existia porque a máquina não entendia o que a pessoa queria. O usuário sempre quis a resposta, não a tela.
01:40 Cada ferramenta cobra uma interface e uma linguagem de consulta próprias.
Três motivos para o MCP sozinho virar bagunça
MCP é só um protocolo, um canal entre agente e serviço. Cabe ao serviço decidir como falar com o agente. Ligar uma dúzia de servidores gera três problemas. O agente começa cada conversa do zero. Centenas de definições de ferramentas lotam o contexto. Cada servidor só conhece a si mesmo, então tarefas que cruzam apps ficam com o humano.
04:00 Os três motivos que a palestrante lista contra o MCP puro.
Busca de ferramentas devolve também um plano de uso
Na demo do bug vindo do Slack, o Claude chama a busca da Composio e declara três tarefas: ler mensagens do Slack, buscar issues no Sentry e buscar logs no Datadog. Para cada uma, a Composio devolve as ferramentas certas e um plano. Exemplo do plano: achar o ID do canal antes de consultar as mensagens. O PR com a correção sai em menos de cinco minutos.
05:35 A busca retorna ferramentas e a ordem de uso, sem skill escrita à mão.
Mais 2 ideias deste talk
Resultados grandes ficam fora do contexto
Na análise entre PostHog e Metabase, o agente guarda a lista de IDs de usuários sem carregá-la no contexto. Depois gera uma consulta SQL com regex em um ambiente remoto (Remote Workbench) para cruzar os IDs com o banco. O contexto do modelo continua pequeno, e os dados vêm das duas fontes.
08:10 O agente cruza duas fontes sem carregar o resultado completo no contexto.
Projetar produto para um usuário sem olhos
A conclusão é que startups preparam o site para GEO, mas poucas preparam o aplicativo para agentes. O agente chega com uma meta e um conjunto de ferramentas, não clica em botão de brilho e julga o produto por uma coisa só, se conseguiu terminar a tarefa. Segundo ela, clientes já pedem para usar os serviços por meio dos próprios agentes.
Palestra de produto da Composio, que vende justamente a camada que ela propõe. Os resultados contra os MCPs nativos foram chamados de iniciais e não publicados, e o trecho não mostra tarefas, métricas nem número de execuções. As duas demos são curadas, uma delas descrita como mockup. A afirmação de que dashboards morreram vem de uma experiência pessoal e ignora casos em que humanos precisam ver gráficos e auditar dados. Cabe notar que a palestrante trabalha no dashboard da Composio.
O que fazer com isso
- Conte quantas ferramentas seus servidores MCP expõem ao agente. Se passarem de algumas dezenas, teste uma busca de ferramentas em vez de carregar todas.
- Em tarefas que cruzam apps, deixe o agente guardar resultados grandes fora do contexto, por exemplo em arquivos ou em um ambiente de execução, e passar adiante só os IDs ou resumos.
- Se você mantém um produto, teste uma tarefa real pedindo a um agente que a execute pela sua API ou MCP, e anote onde ele erra por falta de documentação.
- Peça números ao avaliar fornecedores como esse. Compare o mesmo modelo e as mesmas tarefas nos seus próprios casos antes de adotar.